segunda-feira, 2 de maio de 2016

O que é capitalismo liberal?

O que é o Capitalismo liberal?

O Capitalismo ou a economia de livre mercado é um sistema econômico no qual os indivíduos realizam trocas voluntárias entre si no intuito de satisfazerem seus desejos ou necessidades, alcançando assim o bem-estar. 

Neste sistema, os indivíduos são livres para escolher o que, quanto e onde obter um bem (produto ou serviço); da mesma forma que também são livres para escolher onde querem trabalhar e negociar qual será o seu salário; ou, se o indivíduo preferir, pode abrir o seu próprio empreendimento no ramo em que quiser.

No Capitalismo os meios de produção (fábricas, empresas etc) pertencem a indivíduos ou a grupos de indivíduos, chamados empresários, que os utilizam de modo a satisfazer as necessidades de outros indivíduos esperando alguma forma de compensação. 

Os empresários sempre trabalham no intuito de satisfazer as necessidades dos consumidores, desta forma, eles se esforçam para atender a demanda de terceiros caso queiram obter algum lucro. Muitos economistas denominam o livre mercado como um sistema onde predomina a supremacia dos consumidores, pois através de suas escolhas diárias, eles decidem quem serão os empresários bem ou mal sucedidos no mercado. Serão excluídos do mercado os empresários que não satisfizerem as vontades soberanas dos consumidores. Normalmente, os consumidores fazem suas escolhas no mercado com base em 2 critérios: menor preço e melhor qualidade do bem. Desta forma, somente sobreviverão no mercado, os empresários que agirem de modo a sempre atingir os interesses dos consumidores.

Características do Capitalismo Liberal:

A característica primordial do Capitalismo é a interferência nula ou mínima do Estado na economia (quando o Estado é dono de todos os meios de produção e passa a controlar totalmente a economia, isso chama-se Socialismo). Se a interferência estatal deve ser nula ou mínima, então devem existir as seguintes características para que o Capitalismo funcione corretamente:

- baixos impostos;
- Estado Mínimo;
- redução drástica do funcionalismo público;
- livre concorrência entre empresas;
- privatização em larga escala;
- ausência de bancos estatais;
- ausência de empresas estatais;
- taxa de juro natural;
- ausência de protecionismo;
- ausência de salário mínimo ou máximo;
- ausência de assistencialismo estatal.
- pouca burocracia estatal.

Qual a função e o custo do estado?

Os cientistas políticos e economistas afirmam que o estado deve ser mínimo, ou seja, exercer apenas funções básicas, isto porque o estado e seus funcionários públicos são sustentados com impostos dos cidadãos. Quanto mais empresas e instituições estatais existir, maior será a quantidade de impostos que o povo terá de pagar. Assim é fácil concluir que: se o estado crescer demais, ele sugará todo o dinheiro do povo, empobrecerá a todos e, conseqüentemente, quebrará a economia do país. 

O estado mínimo deve cuidar apenas da SEGURANÇA e JUSTIÇA. Por serem apenas funções primordiais, os impostos cobrados pelo estado liberal são baixos, permitindo assim a existência de uma economia saudável e natural.


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domingo, 27 de março de 2016

O que é inflação?

Na economia há um princípio que afirma: "se um produto está sendo oferecido em grande quantidade, a tendência é que seu valor e preço caiam, ou seja, excesso de oferta gera desvalorização". Isso explica porque o preço da água é baixo na região amazônica e ao mesmo tempo alto em países de regiões desérticas. Este princípio explica ainda porque metais difíceis de serem encontrados na natureza são tão valorizados. É esta teoria que está por trás do fenômeno da inflação. Quando o governo injeta dinheiro no país para supostamente "aquecer a economia", ele está apenas provocando sua desvalorização real. 

Por meio do Banco Central, o governo promove a expansão de dinheiro e crédito que chegam às pessoas em forma de empréstimos ou benefícios sociais etc. Agora que as pessoas têm mais dinheiro para trocar por bens, a demanda aumenta sem que tenha aumentado a oferta, logo vem sua consequência mais famosa: o aumento de preços dos produtos (o que é equivalente a desvalorização real do dinheiro). Nada disso ocorreria numa situação normal em que a demanda e oferta estão em equilíbrio.

A parte bizarra dessa história é que quando surge o aumento de preços, o governo aparece querendo controlar os preços através de leis e fiscalização generalizada, praticamente criando um estado policial. Um ótimo início para um governo que gosta de ditadura, não acham?

Existe um erro comum repetido por quase todos os economistas convencionais: eles confundem inflação com aumento de preço. Isso precisa acabar! Inflação consiste em aumentar (expandir) a quantidade de dinheiro na economia. Já o aumento generalizado de preços dos bens é apenas uma consequência dessa expansão de dinheiro.

Para acabar com a inflação é necessário basicamente impedir essa injeção de dinheiro que é feita pelas impressoras do Banco Central. Murray Rothbard e Friedrick Hayek argumentaram sobre a desestatização do dinheiro, ou seja, a impressão de dinheiro deveria ser retirada das mãos do governo e repassada para empresas privadas que emitiriam dinheiro de forma controlada, tendo como base a quantidade de ouro que elas possuírem em seus cofres, é o que se chama de Padrão-Ouro, assunto abordado em outro artigo.

Se queremos acabar com inflação, temos que acabar com as impressoras do Banco Central.


QUER SABER MAIS SOBRE INFLAÇÃO? CLIQUE AQUI:

1- Tio Patinhas explica inflação
2- A verdade sobre a inflação
3- O básico sobre inflação
4- O que você deve saber sobre a inflação
5- A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas
6- Inflação não é um aumento generalizado nos preços
7- Inflação


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livros básicos sobre liberalismo econômico


É evidente que os artigos contidos e indicados aqui não são suficientes para sanar as dúvidas dos leitores. Por este motivo recomendamos alguns livros para que as pessoas interessadas possam se aprofundar. Vale lembrar que a maioria deles está disponível em versão PDF. Eis a pequena lista:

Governo e mercado - Murray Rothbard
Economia em uma única lição - Henry Hazlitt
Dez lições fundamentais de escola austríaca - Ubiratan Jorge Iorio
A mentalidade anti-capitalista - Ludwig von Mises
As seis lições - Ludwig von Mises
Ação humana - Ludwig von Mises
O que o governo fez com o nosso dinheiro? - Murray Rothbard
Desestatização do dinheiro - Friedrich Hayek
Moeda, crédito bancário e ciclos econômicos - Jesús Huerta de Soto
A riqueza das nações - Adam Smith
A ética da redistribuição - Bertrand de Jouvenel (Filosofia)
Anatomia do estado - Murray Rothbard (Política)


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sábado, 26 de março de 2016

Uma teoria simples sobre a corrupção

Por que há essa percepção generalizada de que políticos são corruptos? Qual exatamente é o arranjo que gera incentivos para que eles sejam corruptos? Existe realmente uma maneira de ser diferente? O intuito aqui é estabelecer uma teoria muito simples sobre a corrupção. 

O poder do estado — e, por conseguinte, o poder daqueles que detêm cargos de poder dentro da máquina estatal — é o poder de pilhar, usurpar e dar ordens. Quem detém o poder estatal detém a capacidade de se locupletar. A capacidade de se locupletar estando dentro da máquina estatal é a definição precípua de corrupção. A corrupção sistemática necessariamente acompanha um governo. Ela está presente na história de absolutamente todos os governos. Varia apenas a intensidade e o grau de exposição e de denúncia pela mídia.

A teoria por trás destas conexões é simples. 

Em primeiro lugar, o governo detém o monopólio da criação de leis. E o monopólio da criação de leis gera oportunidades para se roubar legalmente. Roubar legalmente significa aprovar uma lei ou regulamentação que favoreça um determinado grupo à custa de todo o resto da economia, principalmente os pagadores de impostos.

Em segundo lugar, o governo, munido do dinheiro que coleta de impostos, detém o monopólio da escolha das empresas que farão as obras públicas que o governo julga adequadas. Esse processo de escolha, que dá à empresa vencedora acesso livre ao dinheiro da população — algo que não ocorre no livre mercado — é outra forma de roubo legalizado.

Grupos de interesse — por exemplo, grandes empresas, empreiteiras ou empresários com boas ligações políticas — ansiosos por adquirir vantagens que não conseguem obter no livre mercado irão procurar determinados políticos e fazer lobby para "convencê-los" a aprovar uma determinada legislação que lhes seja benéfica, ou para pressionar que sua empresa (ou empreiteira) seja a escolhida para uma obra pública.

A legislação pode ser desde a imposição de tarifas de importação até a criação de agências reguladoras que irão cartelizar o mercado e impedir a entrada de novos concorrentes. Pode também ser uma mera emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública. 

Mas há um problema: se esses legisladores não cobrarem um preço pelo seu voto favorável — isto é, se o custo para se fazer lobby for zero —, então a demanda por legislações específicas será infinita. Igualmente, se os políticos no comando de estatais não cobrarem um preço das empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas, a demanda por obras públicas da parte das empreiteiras também será infinita.

Sendo assim, os legisladores terão de cobrar caro pelo seu voto com o intuito de estabelecer parâmetros para os espertalhões que estão brigando pelo seu voto favorável; e os políticos no comando de estatais terão de cobrar um preço alto para fraudar o processo de licitação em prol de uma determinada empreiteira.

Para ambos os casos, o preço inclui contribuições de campanha, dinheiro em contas no exterior, favores corporativos, publicidade favorável, e vários outros. Suborno e propina são apenas as formas mais cruas desse leilão.

Em todos esses casos, o dinheiro público estará sendo desviado e desperdiçado, seja em obras superfaturadas, seja na criação de burocracias desnecessárias e que irão apenas encarecer os preços dos bens e serviços e reduzir sua qualidade. E quanto maior o volume de dinheiro público desviado, maior é a fatia que acaba indo parar no bolso desses próprios políticos.

O fato é que o voto destes políticos em prol da criação destas legislações anti-mercado ou destas emendas orçamentárias, bem como o fato de políticos comandarem estatais e escolherem as empreiteiras que farão suas obras, são um bem econômico para essas empresas. 

O resultado final é uma corrupção endêmica que não pode ser eliminada. E ela será tanto maior quanto maior for o tamanho e o escopo do estado. Não existe algo como um governo limpo e transparente.

Senadores, deputados e burocratas reguladores — todos estão, de uma forma ou de outra, propensos a esta atitude. Mesmo um político ou burocrata que seja genuinamente honesto pode ser acusado de conivência, pois não irá denunciar seus colegas.

Roubo e corrupção perpassam o governo em todas as suas atitudes e medidas. Todas as atitudes e medidas do governo sempre envolvem mentiras, injustiças, malversações, delitos, propinas, subornos, favorecimentos, fraudes, deturpações, negociatas, emendas favoráveis e exploração. E essas são apenas as coisas publicáveis.

A corrupção, aliás, já começa pela linguagem. "Contribuições de campanha" ou "doações" são apenas um eufemismo para 'propina'. Quem dá dinheiro a políticos o faz ou porque acredita no que eles dizem defender ou porque espera influenciar seus votos legislativos. Tais pessoas sempre esperam ganhar algo que necessariamente virá à custa de outros. Políticos que recebem contribuições de campanha se tornam meros porta-vozes dos interesses de seus financiadores. O dinheiro irá ajudar o candidato a criar uma coalizão que poderá usar o poder do estado em benefício de um determinado grupo de interesse sem sofrer nenhuma resistência excessiva. Afinal, trata-se de um roubo legalizado. 

A grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados.

O político gerencia um esquema de extorsão semelhante ao da máfia. Seu salário é pago pelas vítimas, ou seja, pelos pagadores de impostos que não têm voz ativa. Seus "complementos salariais" — o chamado "por fora" — são pagos por grupos de interesse, o que fará com que ele espolie ainda mais os pagadores de impostos. Tudo é feito com grande astúcia, sendo a função do político convencer as vítimas de que elas não estão sendo espoliadas. Isso ele sempre consegue. O político é, acima de tudo, um falso. 

Corrupção sistemática — não apenas a corrupção que envolve meios financeiros, mas também a corrupção da linguagem e das atitudes — necessariamente acompanha um governo. Qualquer governo. E a corrupção é endêmica porque a política é a arte da ladroagem. 

Quando eleito, um político irá se esforçar para garantir seus interesses e os interesses de seus financiadores da melhor forma possível. Para que mais serve um governo? Governo é roubo. Governo é corrupção.




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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Porque os carros são caros no Brasil?


É uma constatação muito triste e ao mesmo tempo revoltante: o Brasil, que é um país subdesenvolvido, tem automóveis mais caros do que em países desenvolvidos. Isso aparentemente não faz o menor sentido. Afinal, se somos mais pobres, deveríamos pagar menos pelo mesmo produto. Mas não é isso que ocorre na prática e os motivos são vários. Para se ter uma ideia, na Europa um carro popular custa aproximadamente uns 13 mil Reais. Aqui no Brasil para conseguirmos comprar um popular "pelado" (com itens básicos) temos que desembolsar cerca de 30 mil Reais, o que na Europa daria para comprar um Honda Civic top de linha tranquilamente. Vejamos alguns motivos para essa enorme disparidade de preços:

1- Altos impostos

As informações de sites especializados indicam que os impostos representam cerca de 40 a 60% do valor total de um carro. Ou seja, quando compramos um carro à vista estamos, na verdade, pagando dois. Obrigado governo!

2- taxação de importados (para proteger os nacionais):

Creio que não seja segredo para ninguém que o governo brasileiro protege as marcas "nacionais" (GM, VW, Fiat e Ford) de enfrentarem a concorrência de outras montadoras. O segredo é simples: o governo realizou um acordo com essas 4 grandes. Essas empresas instalaram suas fábricas no Brasil para gerar empregos; em troca, o governo taxa altos impostos as empresas de carros "importados" como Renault, Peugeot, Citroen, o que evidentemente eleva o preço desses carros. Assim, o governo consegue uma imagem de pai bonzinho, as empresas nacionais saem ganhando explorando uma espécie de cartel protegidas pelo governo e quem sai perdendo nessa história é o consumidor que paga mais caro. 

3- Pressão sindical para preservar empregos:

Todo mundo está cansado de saber que os sindicatos pressionam o governo para que este force as empresas a continuar mantendo o emprego dos trabalhadores, sob ameaça de sérias multas no bolso dos empresários. Em épocas em que as vendas de automóveis caem, obviamente o ganho das empresas caem (é assim em qualquer empresa) e isso naturalmente provoca demissões já que as empresas não terão dinheiro suficiente para pagar todos os seus funcionários. Os sindicatos sabem que isso é um fenômeno natural mas, assim mesmo, insistem que as empresas devam manter todos os seus funcionários usando a força estatal para conseguir esse objetivo. Quando não há outra saída, as empresas são forçadas a aumentar o preço dos veículos para conseguir pagar seus funcionários. 

4- Parcelamentos em trocentas vezes:

Embora os 3 motivos anteriores tenham muita influência no preço final dos automóveis, devemos ser honestos ao dizer que, na verdade, o maior culpado pelos altos preços dos carros seja...você, consumidor. Sim, você mesmo! Ora, as empresas são espertas, quando elas vão inicialmente vender os seus carros, elas começam jogando o preço lá nas alturas. Se vender mal, elas reduzem; Se vender bem, elas mantém os preços. O que acontece no Brasil é exatamente essa situação: as empresas deixam os preços lá em cima. Os consumidores brasileiros aceitam e continuam comprando os carros. Assim, as empresas não veem nenhum motivo para baixar nada. Porque baixar preços se todo mundo continua comprando numa boa? A questão é que não compramos carros à vista e nem exigimos descontos. A maioria dos brasileiros compra carro parcelado em trocentas vezes (em 60 vezes geralmente) enviando às empresas a mensagem de que os preços que elas praticam são ótimos e que estamos felizes em continuar comprando seus carros.

CONCLUSÃO:

Para acabar com esses preços absurdos dos carros brasileiros é necessário consciência política e individual. Pois devemos exigir um governo melhor que reduza impostos, acabe com a máfia sindical e pare de proteger as empresas "nacionais"; E ao mesmo tempo devemos parar na medida do possível de alimentar essa mania de comprar carros parcelados. Temos que parar de criar circunstâncias que prejudicam a nós mesmos!



Referências:

http://www.terra.com.br/economia/infograficos/compare-precos-carros-brasil-mundo/

http://www.noticiasautomotivas.com.br/preco-do-carro-quanto-de-impostos-pagamos-para-ter-um-veiculo-na-garagem/

http://carplace.uol.com.br/senado-vai-discutir-alto-preco-do-carro-no-brasil-no-dia-25/

http://www.g37.com.br/index.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=13151


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O que aconteceria se o governo imprimisse mais dinheiro para dar aos pobres?


Nos causa um aperto no coração quando vemos cenas lamentáveis de cidadãos em estado de pobreza extrema. Ao vivo ou nos noticiários, a realidade dura e crua nos mostra famintos, sem-tetos, mendigos... É uma conclusão simples e lógica: essas pessoas passam fome e são miseráveis por um motivo – elas não têm dinheiro o suficiente para suprir as mais básicas necessidades.A solução parece óbvia.

Se elas, as pessoas pobres, precisam de dinheiro e é o governo quem produz esse dinheiro, por que ele não dá um jeito? E se o governo imprimisse mais dinheiro para dar aos pobres? Já se perguntou? Bem, o fato é que muita gente se pergunta isso, mas não é nem de longe tão simples e prático quanto parece.

A questão é que a economia de um país não caminha isolada. Se a Casa da Moeda imprimisse – por ordem do Banco Central -, por exemplo, 1 bilhão de reais a mais do que é produzido normalmente, direcionando esse dinheiro aos pobres, haveria uma falsa sensação de melhora na economia seguida por inflação desenfreada.

Imprimindo mais dinheiro, inicialmente haveria uma euforia devido ao aumento do poder de compra. As pessoas gastariam mais em bens e serviços como alimentos, eletrodomésticos, restaurantes etc. e isso impulsionaria a economia em todos os setores, desde os profissionais liberais (advogados, jornalistas etc.) até o comércio e a indústria. Ou seja, ocorreria um aumento geral de venda e lucros. Até aí tudo bem, mas e depois?

Mais dinheiro circulando significaria, automaticamente, maior demanda pelos bens e serviços produzidos – que são o valor real da economia, e não o dinheiro, que é só um meio de troca. E é simplesmente impossível aumentar de súbito a produção desses bens para acompanhar o dinheiro entrando. Gradativamente, as empresas atingiriam seu limite e as pessoas, com dinheiro sobrando, continuariam querendo comprar. Mas acontece que haveria muito dinheiro para comprar, sem bens o suficiente para vender.

O resultado seria aumentar os preços como forma de tentar reequilibrar o poder de compra com o que a sociedade pode produzir no curto prazo. A inflação generalizada tornaria todo o ambiente da economia incerto e descontrolado, e os empresários passariam a não investir ou a investir muito pouco. O crescimento da economia cairia, gerando uma crise.

Por isso, ao invés de resolver o problema do país, produzir mais dinheiro que o normal só pioraria.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Por que a economia não é um jogo de soma zero

Apesar de toda a ampla literatura disponível, ainda há pessoas que genuinamente acreditam que a economia é um jogo de soma zero, isto é, que para algumas pessoas ganhar outras têm necessariamente de perder. Tais pessoas acreditam que a economia seria uma espécie de bolo, cujo tamanho é fixo e representa toda a riqueza disponível. Sendo assim, cada indivíduo que se apossa de uma fatia está na realidade retirando esta fatia da boca de outro indivíduo. A verdade, no entanto, é que este bolo de riqueza não tem um tamanho fixo; ao contrário, ele cresce de maneira tal que há cada vez mais quantidade disponível para todos.

O fundador da Escola Austríaca de economia, Carl Menger, deixou claro que, para que uma coisa possa ser considerada um bem econômico, quatro circunstâncias devem ser observadas: 

1) deve existir uma necessidade humana; 
2) a coisa em questão deve ser capaz de satisfazer essa necessidade humana; 
3) o indivíduo deve conhecer a adequabilidade da coisa em satisfazer sua necessidade; e 
4) o indivíduo deve usufruir poder de disposição sobre esta coisa.

Tendo em mente estas quatro circunstâncias às quais o austríaco condicionou a existência de bens econômicos, podemos deduzir por que a economia não é um jogo de soma zero na qual toda a riqueza possível já se encontra dada de antemão.

Em primeiro lugar, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. Por mais que toda a matéria já exista e esteja disponível na natureza, ela não nos foi dada de uma forma que nos permita satisfazermos nossas necessidades. A matéria tem de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho e de investimentos. A madeira das árvores deve ser cortada e processada para a fabricação de abrigos dentro dos quais iremos morar; as terras têm de ser aradas e cultivadas para que possamos colher alimentos que irão saciar nossa fome; o ferro e o alumínio têm de ser extraídos das minas para que seja possível a fabricação de aviões que irão nos transportar de um ponto do globo a outro. Só é possível criar riquezas quando transformamos coisas (que não satisfazem diretamente nossos desejos) em bens (que satisfazem). É por isso que recursos minerais que estão no subsolo não configuram riqueza por si só. Eles têm antes de ser transformados. E isso só irá ocorrer com investimentos maciços, mão-de-obra capacitada e tecnologia avançada.

Em segundo lugar, a incapacidade dos objetos em seu estado natural em satisfazer diretamente nossas necessidades advém do fato de que nem sequer conhecemos todas as suas combinações e usos possíveis. A tecnologia, que é a arte de combinar e ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não nos vem dada; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens econômicos. Em outras palavras, dado que não somos oniscientes, não apenas temos de criar bens econômicos a partir das coisas que nos circundam, como também temos de descobrir informações acerca de como transformar essas coisas em bens econômicos — informações que, por si só, constituem uma nova fonte de riqueza.

Terceiro e último, por mais adequado que seja um bem em satisfazer nossas necessidades, ele será totalmente inútil se não o tivermos ao nosso alcance. A natureza pode ter sido generosa em nos agraciar com rios caudalosos por todo o planeta; no entanto, estes rios não proporcionarão nenhum serviço àquele indivíduo que se encontra no meio do deserto. Em outras palavras, não apenas temos de produzir os bens, como também temos de saber distribuí-los aos seus usuários finais. 

Em nossos sistemas econômicos, produção e distribuição andam de mãos dadas: com o intuito de maximizar nossa eficiência na fabricação de bens econômicos, cada um de nós se especializa em produzir um ou dois bens econômicos no máximo, mesmo que necessitemos de uma grande variedade deles para satisfazer nossas mais diversas necessidades — ou seja, somos produtores especializados e, ao mesmo tempo, consumidores generalizados.

Demandamos os mais amplos e variados bens econômicos e, em troca, podemos apenas ofertar nossa extremamente limitada e específica especialização. E, ainda assim, as trocas ocorrem. Portanto, a maneira de termos acesso aos mais diversos bens econômicos é oferecendo em troca nossa extremamente limitada oferta de bens. E isso ocorre por meio das trocas comerciais.

O problema é que, desde Aristóteles, a humanidade acredita que as trocas comerciais ocorrem somente entre bens com igualdade de valor. Se o bem A é trocado pelo bem B, então necessariamente o valor de A deveria ser igual ao valor de B. Consequentemente, nenhuma troca comercial poderia gerar valor, e sim apenas redistribuí-lo. A interpretação alternativa (a de que o valor de A seria superior ao de B, ou vice-versa) seria ainda mais desalentadora, pois implicaria que, em toda e qualquer transação, um lado ganharia à custa do outro (ele entregaria algo com um valor objetivo maior em troca de algo com um valor objetivo menor).

No entanto, graças a Carl Menger, que popularizou a descoberta de que o valor dos bens não é objetivo mas simsubjetivo, a realidade se comprova totalmente distinta: em toda e qualquer transação comercial, cada lado atribui àquele bem que está recebendo um valor subjetivo maior do que àquele bem que está dando em troca. Afinal, se não fosse assim — se você não valorizasse mais aquilo que está recebendo do que aquilo que está dando em troca —, a transação simplesmente não ocorreria. Em decorrência deste fato, conclui-se que os indivíduos geram riqueza ao simplesmente trocarem bens econômicos. Ao fazerem isso, eles estão recorrendo a um meio (trocas comerciais) para chegar àqueles fins que lhes são mais valiosos.

Em definitivo, a economia não é um jogo de soma zero, uma vez que durante todo o processo de produção de bens e serviços estamos gerando riqueza: seja quando investigamos como converter coisas em bens, quando de fato convertemos as coisas em bens, e quando distribuímos os bens por meio das trocas comerciais.

Ao contrário do que supõem os socialistas — que toda a riqueza já está criada e dada, e que é necessário apenas redistribuí-la —, o livre mercado é o único arranjo no qual os indivíduos podem se organizar de modo a incrementar ao máximo possível a oferta de bens e serviços, os quais iremos utilizar para satisfazer de maneira contínua nossos mais variados fins.

A economia, portanto, não é um jogo de soma zero, mas sim um jogo de saldo positivo e expansivo. O bolo não está dado e não possui tamanho fixo. Ao contrário, ele cresce e permite fatias cada vez maiores para todos — exceto se o estado entrar em cena e gulosamente abocanhar uma grande fatia.


Publicado pelo Institulo Ludwig von Mises


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