quarta-feira, 29 de julho de 2015

Porque os carros são caros no Brasil?


É uma constatação muito triste e ao mesmo tempo revoltante: o Brasil, que é um país subdesenvolvido, tem automóveis mais caros do que em países desenvolvidos. Isso aparentemente não faz o menor sentido. Afinal, se somos mais pobres, deveríamos pagar menos pelo mesmo produto. Mas não é isso que ocorre na prática e os motivos são vários. Para se ter uma ideia, na Europa um carro popular custa aproximadamente uns 13 mil Reais. Aqui no Brasil para conseguirmos comprar um popular "pelado" (com itens básicos) temos que desembolsar cerca de 30 mil Reais, o que na Europa daria para comprar um Honda Civic top de linha tranquilamente. Vejamos alguns motivos para essa enorme disparidade de preços:

1- Altos impostos

As informações de sites especializados indicam que os impostos representam cerca de 40 a 60% do valor total de um carro. Ou seja, quando compramos um carro à vista estamos, na verdade, pagando dois. Obrigado governo!

2- taxação de importados (para proteger os nacionais):

Creio que não seja segredo para ninguém que o governo brasileiro protege as marcas "nacionais" (GM, VW, Fiat e Ford) de enfrentarem a concorrência de outras montadoras. O segredo é simples: o governo realizou um acordo com essas 4 grandes. Essas empresas instalaram suas fábricas no Brasil para gerar empregos; em troca, o governo taxa altos impostos as empresas de carros "importados" como Renault, Peugeot, Citroen, o que evidentemente eleva o preço desses carros. Assim, o governo consegue uma imagem de pai bonzinho, as empresas nacionais saem ganhando explorando uma espécie de cartel protegidas pelo governo e quem sai perdendo nessa história é o consumidor que paga mais caro. 

3- Pressão sindical para preservar empregos:

Todo mundo está cansado de saber que os sindicatos pressionam o governo para que este force as empresas a continuar mantendo o emprego dos trabalhadores, sob ameaça de sérias multas no bolso dos empresários. Em épocas em que as vendas de automóveis caem, obviamente o ganho das empresas caem (é assim em qualquer empresa) e isso naturalmente provoca demissões já que as empresas não terão dinheiro suficiente para pagar todos os seus funcionários. Os sindicatos sabem que isso é um fenômeno natural mas, assim mesmo, insistem que as empresas devam manter todos os seus funcionários usando a força estatal para conseguir esse objetivo. Quando não há outra saída, as empresas são forçadas a aumentar o preço dos veículos para conseguir pagar seus funcionários. 

4- Parcelamentos em trocentas vezes:

Embora os 3 motivos anteriores tenham muita influência no preço final dos automóveis, devemos ser honestos ao dizer que, na verdade, o maior culpado pelos altos preços dos carros seja...você, consumidor. Sim, você mesmo! Ora, as empresas são espertas, quando elas vão inicialmente vender os seus carros, elas começam jogando o preço lá nas alturas. Se vender mal, elas reduzem; Se vender bem, elas mantém os preços. O que acontece no Brasil é exatamente essa situação: as empresas deixam os preços lá em cima. Os consumidores brasileiros aceitam e continuam comprando os carros. Assim, as empresas não veem nenhum motivo para baixar nada. Porque baixar preços se todo mundo continua comprando numa boa? A questão é que não compramos carros à vista e nem exigimos descontos. A maioria dos brasileiros compra carro parcelado em trocentas vezes (em 60 vezes geralmente) enviando às empresas a mensagem de que os preços que elas praticam são ótimos e que estamos felizes em continuar comprando seus carros.

CONCLUSÃO:

Para acabar com esses preços absurdos dos carros brasileiros é necessário consciência política e individual. Pois devemos exigir um governo melhor que reduza impostos, acabe com a máfia sindical e pare de proteger as empresas "nacionais"; E ao mesmo tempo devemos parar na medida do possível de alimentar essa mania de comprar carros parcelados. Temos que parar de criar circunstâncias que prejudicam a nós mesmos!



Referências:

http://www.terra.com.br/economia/infograficos/compare-precos-carros-brasil-mundo/

http://www.noticiasautomotivas.com.br/preco-do-carro-quanto-de-impostos-pagamos-para-ter-um-veiculo-na-garagem/

http://carplace.uol.com.br/senado-vai-discutir-alto-preco-do-carro-no-brasil-no-dia-25/

http://www.g37.com.br/index.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=13151


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O que aconteceria se o governo imprimisse mais dinheiro para dar aos pobres?


Nos causa um aperto no coração quando vemos cenas lamentáveis de cidadãos em estado de pobreza extrema. Ao vivo ou nos noticiários, a realidade dura e crua nos mostra famintos, sem-tetos, mendigos... É uma conclusão simples e lógica: essas pessoas passam fome e são miseráveis por um motivo – elas não têm dinheiro o suficiente para suprir as mais básicas necessidades.A solução parece óbvia.

Se elas, as pessoas pobres, precisam de dinheiro e é o governo quem produz esse dinheiro, por que ele não dá um jeito? E se o governo imprimisse mais dinheiro para dar aos pobres? Já se perguntou? Bem, o fato é que muita gente se pergunta isso, mas não é nem de longe tão simples e prático quanto parece.

A questão é que a economia de um país não caminha isolada. Se a Casa da Moeda imprimisse – por ordem do Banco Central -, por exemplo, 1 bilhão de reais a mais do que é produzido normalmente, direcionando esse dinheiro aos pobres, haveria uma falsa sensação de melhora na economia seguida por inflação desenfreada.

Imprimindo mais dinheiro, inicialmente haveria uma euforia devido ao aumento do poder de compra. As pessoas gastariam mais em bens e serviços como alimentos, eletrodomésticos, restaurantes etc. e isso impulsionaria a economia em todos os setores, desde os profissionais liberais (advogados, jornalistas etc.) até o comércio e a indústria. Ou seja, ocorreria um aumento geral de venda e lucros. Até aí tudo bem, mas e depois?

Mais dinheiro circulando significaria, automaticamente, maior demanda pelos bens e serviços produzidos – que são o valor real da economia, e não o dinheiro, que é só um meio de troca. E é simplesmente impossível aumentar de súbito a produção desses bens para acompanhar o dinheiro entrando. Gradativamente, as empresas atingiriam seu limite e as pessoas, com dinheiro sobrando, continuariam querendo comprar. Mas acontece que haveria muito dinheiro para comprar, sem bens o suficiente para vender.

O resultado seria aumentar os preços como forma de tentar reequilibrar o poder de compra com o que a sociedade pode produzir no curto prazo. A inflação generalizada tornaria todo o ambiente da economia incerto e descontrolado, e os empresários passariam a não investir ou a investir muito pouco. O crescimento da economia cairia, gerando uma crise.

Por isso, ao invés de resolver o problema do país, produzir mais dinheiro que o normal só pioraria.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Por que a economia não é um jogo de soma zero

Apesar de toda a ampla literatura disponível, ainda há pessoas que genuinamente acreditam que a economia é um jogo de soma zero, isto é, que para algumas pessoas ganhar outras têm necessariamente de perder. Tais pessoas acreditam que a economia seria uma espécie de bolo, cujo tamanho é fixo e representa toda a riqueza disponível. Sendo assim, cada indivíduo que se apossa de uma fatia está na realidade retirando esta fatia da boca de outro indivíduo. A verdade, no entanto, é que este bolo de riqueza não tem um tamanho fixo; ao contrário, ele cresce de maneira tal que há cada vez mais quantidade disponível para todos.

O fundador da Escola Austríaca de economia, Carl Menger, deixou claro que, para que uma coisa possa ser considerada um bem econômico, quatro circunstâncias devem ser observadas: 

1) deve existir uma necessidade humana; 
2) a coisa em questão deve ser capaz de satisfazer essa necessidade humana; 
3) o indivíduo deve conhecer a adequabilidade da coisa em satisfazer sua necessidade; e 
4) o indivíduo deve usufruir poder de disposição sobre esta coisa.

Tendo em mente estas quatro circunstâncias às quais o austríaco condicionou a existência de bens econômicos, podemos deduzir por que a economia não é um jogo de soma zero na qual toda a riqueza possível já se encontra dada de antemão.

Em primeiro lugar, a imensa maioria das coisas, na forma como se encontram em seu estado natural, não nos permite satisfazer nossas necessidades. Por mais que toda a matéria já exista e esteja disponível na natureza, ela não nos foi dada de uma forma que nos permita satisfazermos nossas necessidades. A matéria tem de ser trabalhada e transformada por meio do trabalho e de investimentos. A madeira das árvores deve ser cortada e processada para a fabricação de abrigos dentro dos quais iremos morar; as terras têm de ser aradas e cultivadas para que possamos colher alimentos que irão saciar nossa fome; o ferro e o alumínio têm de ser extraídos das minas para que seja possível a fabricação de aviões que irão nos transportar de um ponto do globo a outro. Só é possível criar riquezas quando transformamos coisas (que não satisfazem diretamente nossos desejos) em bens (que satisfazem). É por isso que recursos minerais que estão no subsolo não configuram riqueza por si só. Eles têm antes de ser transformados. E isso só irá ocorrer com investimentos maciços, mão-de-obra capacitada e tecnologia avançada.

Em segundo lugar, a incapacidade dos objetos em seu estado natural em satisfazer diretamente nossas necessidades advém do fato de que nem sequer conhecemos todas as suas combinações e usos possíveis. A tecnologia, que é a arte de combinar e ordenar a matéria para que ela gere o resultado desejado, também não nos vem dada; antes, ela deve ser descoberta por meio da investigação e da experimentação, duas atividades que, por sua vez, requerem o uso de outros bens econômicos. Em outras palavras, dado que não somos oniscientes, não apenas temos de criar bens econômicos a partir das coisas que nos circundam, como também temos de descobrir informações acerca de como transformar essas coisas em bens econômicos — informações que, por si só, constituem uma nova fonte de riqueza.

Terceiro e último, por mais adequado que seja um bem em satisfazer nossas necessidades, ele será totalmente inútil se não o tivermos ao nosso alcance. A natureza pode ter sido generosa em nos agraciar com rios caudalosos por todo o planeta; no entanto, estes rios não proporcionarão nenhum serviço àquele indivíduo que se encontra no meio do deserto. Em outras palavras, não apenas temos de produzir os bens, como também temos de saber distribuí-los aos seus usuários finais. 

Em nossos sistemas econômicos, produção e distribuição andam de mãos dadas: com o intuito de maximizar nossa eficiência na fabricação de bens econômicos, cada um de nós se especializa em produzir um ou dois bens econômicos no máximo, mesmo que necessitemos de uma grande variedade deles para satisfazer nossas mais diversas necessidades — ou seja, somos produtores especializados e, ao mesmo tempo, consumidores generalizados.

Demandamos os mais amplos e variados bens econômicos e, em troca, podemos apenas ofertar nossa extremamente limitada e específica especialização. E, ainda assim, as trocas ocorrem. Portanto, a maneira de termos acesso aos mais diversos bens econômicos é oferecendo em troca nossa extremamente limitada oferta de bens. E isso ocorre por meio das trocas comerciais.

O problema é que, desde Aristóteles, a humanidade acredita que as trocas comerciais ocorrem somente entre bens com igualdade de valor. Se o bem A é trocado pelo bem B, então necessariamente o valor de A deveria ser igual ao valor de B. Consequentemente, nenhuma troca comercial poderia gerar valor, e sim apenas redistribuí-lo. A interpretação alternativa (a de que o valor de A seria superior ao de B, ou vice-versa) seria ainda mais desalentadora, pois implicaria que, em toda e qualquer transação, um lado ganharia à custa do outro (ele entregaria algo com um valor objetivo maior em troca de algo com um valor objetivo menor).

No entanto, graças a Carl Menger, que popularizou a descoberta de que o valor dos bens não é objetivo mas simsubjetivo, a realidade se comprova totalmente distinta: em toda e qualquer transação comercial, cada lado atribui àquele bem que está recebendo um valor subjetivo maior do que àquele bem que está dando em troca. Afinal, se não fosse assim — se você não valorizasse mais aquilo que está recebendo do que aquilo que está dando em troca —, a transação simplesmente não ocorreria. Em decorrência deste fato, conclui-se que os indivíduos geram riqueza ao simplesmente trocarem bens econômicos. Ao fazerem isso, eles estão recorrendo a um meio (trocas comerciais) para chegar àqueles fins que lhes são mais valiosos.

Em definitivo, a economia não é um jogo de soma zero, uma vez que durante todo o processo de produção de bens e serviços estamos gerando riqueza: seja quando investigamos como converter coisas em bens, quando de fato convertemos as coisas em bens, e quando distribuímos os bens por meio das trocas comerciais.

Ao contrário do que supõem os socialistas — que toda a riqueza já está criada e dada, e que é necessário apenas redistribuí-la —, o livre mercado é o único arranjo no qual os indivíduos podem se organizar de modo a incrementar ao máximo possível a oferta de bens e serviços, os quais iremos utilizar para satisfazer de maneira contínua nossos mais variados fins.

A economia, portanto, não é um jogo de soma zero, mas sim um jogo de saldo positivo e expansivo. O bolo não está dado e não possui tamanho fixo. Ao contrário, ele cresce e permite fatias cada vez maiores para todos — exceto se o estado entrar em cena e gulosamente abocanhar uma grande fatia.


Publicado pelo Institulo Ludwig von Mises


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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Saúde: pública ou privada?

Os problemas relacionados ao setor de saúde causam preocupações no mundo inteiro. Sem saúde, o ser humano evidentemente não consegue realizar suas tarefas normalmente e nem viver sua vida com a tranquilidade que merece. No Brasil, o tema é tratado pela maioria dos burocratas como de fácil solução, afinal não faltam políticos em dias de campanha prometendo resolver do dia para a noite os problemas na área de saúde. Eles se esforçam para mostrar que a solução é relativamente simples: “basta eleger um novo político, trocar o partido que está no poder, investir mais dinheiro no setor, melhorar a infraestrutura etc...” ignorando por completo a realidade dos fatos. 

O que iremos demonstrar agora é que a raiz do problema é exatamente o modelo estatal. Para mostrar que nosso argumento não tem ideologia alguma, faremos uma comparação, entre o modelo estatal (público) e o modelo privatizado, baseada no realismo de funcionamento de ambos.

Pois bem caro leitor, vamos imaginar que existem pacientes desejando realizar um exame de raios-x, mas o hospital não possui a máquina adequada. Diante deste fato, qual seria a solução fornecida pela rede pública e a rede privada de saúde?

Rede privada:
Quando o hospital é privado, o administrador do hospital retira dinheiro do caixa e efetua a compra da máquina de raios-x. Se o hospital não tiver dinheiro em caixa, o administrador realiza um empréstimo num banco e compra do mesmo modo. A máquina chegará rapidamente, dependendo apenas da empresa de transporte.

Rede pública (estatal):
Quando o hospital é público, a compra da máquina de raios-x é um processo lento e extremamente burocrático. E funciona da seguinte maneira:

O hospital envia um documento (Ofício) comunicando à secretaria de saúde do estado sobre a necessidade urgente de efetuar a compra da máquina. Quando este documento chega à secretaria, ele percorre diversos setores lá dentro até finalmente chegar na mesa do secretário de saúde para assinatura. Este, por sua vez, encaminha o Ofício à Secretaria de Orçamento (ou órgão parecido). Dentro desta Secretaria, o documento percorre vários setores para finalmente chegar nas mãos do Secretario de Orçamento para este responder se há ou não dinheiro disponível no caixa do estado. Se a resposta for afirmativa, o Ofício é encaminhado ao Governador do Estado para assinatura e compra da máquina de raios-X. 

Notem que estou sendo otimista em acreditar que o governador irá mesmo assinar tal documento (algumas vezes isso não ocorre e o Ministério Público acaba tendo que intervir) e que não houve nenhum desvio de verba no meio desse processo. 

Enfim, representando isto num esquema seria mais ou menos assim:


Você consegue perceber a loucura burocrática existente no modelo estatal? Até essa máquina ser comprada de fato, várias pessoas podem ser prejudicadas ou mesmo morrer nas filas de espera. E é exatamente esta lentidão que causa a escassez. Percebam que nos hospitais públicos faltam remédios, equipamentos, máquinas, ambulâncias e às vezes até profissionais (porque só é possível trabalhar na rede pública se o estado realizar concurso público, o que demora anos para acontecer muitas vezes).

Por isso o modelo privado sempre será o mais eficiente, pois ele é simples e rápido. A burocracia envolvida nela é muito pouca e de tal forma que não prejudica os pacientes. Por isso seria bom privatizarmos todos os hospitais que atualmente são públicos. 

Mas e o custo?

Não obstante a comprovação da eficiência do serviço privado sobre o público, muitas pessoas se opõe a privatização da rede pública de saúde por achar que serviço privatizado custaria caro e causaria exclusão social das pessoas mais carentes. Entretanto, nem de longe isso seria verdade, pois vários fatores ajudam a reduzir os preços dos serviços: como por exemplo, isenção de impostos e concorrência entre os hospitais. Já abordamos essa questão no texto “Porque devemos apoiar privatizações”. O que nos interessa por ora é mostrar que o modelo estatal é a raiz do problema e privatizar é a solução. Devemos lembrar ainda o seguinte:

O serviço público é sustentado com os impostos do povo. Assim pagamos impostos para termos serviços estatais de péssima qualidade. Já o serviço privado não precisa de imposto nenhum. Cada indivíduo paga do seu próprio bolso diretamente ao hospital privado.

Seja como for, em ambos os casos o povo paga. A diferença é que num modelo o serviço funciona, no outro não. Façam suas escolhas!

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