domingo, 27 de março de 2016

O que é inflação?

Na economia há um princípio que afirma: "se um produto está sendo oferecido em grande quantidade, a tendência é que seu valor e preço caiam, ou seja, excesso de oferta gera desvalorização". Isso explica porque o preço da água é baixo na região amazônica e ao mesmo tempo alto em países de regiões desérticas. Este princípio explica ainda porque metais difíceis de serem encontrados na natureza são tão valorizados. É esta teoria que está por trás do fenômeno da inflação. Quando o governo injeta dinheiro no país para supostamente "aquecer a economia", ele está apenas provocando sua desvalorização real. 

Por meio do Banco Central, o governo promove a expansão de dinheiro e crédito que chegam às pessoas em forma de empréstimos ou benefícios sociais etc. Agora que as pessoas têm mais dinheiro para trocar por bens, a demanda aumenta sem que tenha aumentado a oferta, logo vem sua consequência mais famosa: o aumento de preços dos produtos (o que é equivalente a desvalorização real do dinheiro). Nada disso ocorreria numa situação normal em que a demanda e oferta estão em equilíbrio.

A parte bizarra dessa história é que quando surge o aumento de preços, o governo aparece querendo controlar os preços através de leis e fiscalização generalizada, praticamente criando um estado policial. Um ótimo início para um governo que gosta de ditadura, não acham?

Existe um erro comum repetido por quase todos os economistas convencionais: eles confundem inflação com aumento de preço. Isso precisa acabar! Inflação consiste em aumentar (expandir) a quantidade de dinheiro na economia. Já o aumento generalizado de preços dos bens é apenas uma consequência dessa expansão de dinheiro.

Para acabar com a inflação é necessário basicamente impedir essa injeção de dinheiro que é feita pelas impressoras do Banco Central. Murray Rothbard e Friedrick Hayek argumentaram sobre a desestatização do dinheiro, ou seja, a impressão de dinheiro deveria ser retirada das mãos do governo e repassada para empresas privadas que emitiriam dinheiro de forma controlada, tendo como base a quantidade de ouro que elas possuírem em seus cofres, é o que se chama de Padrão-Ouro, assunto abordado em outro artigo.

Se queremos acabar com inflação, temos que acabar com as impressoras do Banco Central.


QUER SABER MAIS SOBRE INFLAÇÃO? CLIQUE AQUI:

1- Tio Patinhas explica inflação
2- A verdade sobre a inflação
3- O básico sobre inflação
4- O que você deve saber sobre a inflação
5- A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas
6- Inflação não é um aumento generalizado nos preços
7- Inflação


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livros básicos sobre liberalismo econômico


É evidente que os artigos contidos e indicados aqui não são suficientes para sanar as dúvidas dos leitores. Por este motivo recomendamos alguns livros para que as pessoas interessadas possam se aprofundar. Vale lembrar que a maioria deles está disponível em versão PDF. Eis a pequena lista:

Governo e mercado - Murray Rothbard
Economia em uma única lição - Henry Hazlitt
Dez lições fundamentais de escola austríaca - Ubiratan Jorge Iorio
A mentalidade anti-capitalista - Ludwig von Mises
As seis lições - Ludwig von Mises
Ação humana - Ludwig von Mises
O que o governo fez com o nosso dinheiro? - Murray Rothbard
Desestatização do dinheiro - Friedrich Hayek
Moeda, crédito bancário e ciclos econômicos - Jesús Huerta de Soto
A riqueza das nações - Adam Smith
A ética da redistribuição - Bertrand de Jouvenel (Filosofia)
Anatomia do estado - Murray Rothbard (Política)


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sábado, 26 de março de 2016

Uma teoria simples sobre a corrupção

Por que há essa percepção generalizada de que políticos são corruptos? Qual exatamente é o arranjo que gera incentivos para que eles sejam corruptos? Existe realmente uma maneira de ser diferente? O intuito aqui é estabelecer uma teoria muito simples sobre a corrupção. 

O poder do estado — e, por conseguinte, o poder daqueles que detêm cargos de poder dentro da máquina estatal — é o poder de pilhar, usurpar e dar ordens. Quem detém o poder estatal detém a capacidade de se locupletar. A capacidade de se locupletar estando dentro da máquina estatal é a definição precípua de corrupção. A corrupção sistemática necessariamente acompanha um governo. Ela está presente na história de absolutamente todos os governos. Varia apenas a intensidade e o grau de exposição e de denúncia pela mídia.

A teoria por trás destas conexões é simples. 

Em primeiro lugar, o governo detém o monopólio da criação de leis. E o monopólio da criação de leis gera oportunidades para se roubar legalmente. Roubar legalmente significa aprovar uma lei ou regulamentação que favoreça um determinado grupo à custa de todo o resto da economia, principalmente os pagadores de impostos.

Em segundo lugar, o governo, munido do dinheiro que coleta de impostos, detém o monopólio da escolha das empresas que farão as obras públicas que o governo julga adequadas. Esse processo de escolha, que dá à empresa vencedora acesso livre ao dinheiro da população — algo que não ocorre no livre mercado — é outra forma de roubo legalizado.

Grupos de interesse — por exemplo, grandes empresas, empreiteiras ou empresários com boas ligações políticas — ansiosos por adquirir vantagens que não conseguem obter no livre mercado irão procurar determinados políticos e fazer lobby para "convencê-los" a aprovar uma determinada legislação que lhes seja benéfica, ou para pressionar que sua empresa (ou empreiteira) seja a escolhida para uma obra pública.

A legislação pode ser desde a imposição de tarifas de importação até a criação de agências reguladoras que irão cartelizar o mercado e impedir a entrada de novos concorrentes. Pode também ser uma mera emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública. 

Mas há um problema: se esses legisladores não cobrarem um preço pelo seu voto favorável — isto é, se o custo para se fazer lobby for zero —, então a demanda por legislações específicas será infinita. Igualmente, se os políticos no comando de estatais não cobrarem um preço das empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas, a demanda por obras públicas da parte das empreiteiras também será infinita.

Sendo assim, os legisladores terão de cobrar caro pelo seu voto com o intuito de estabelecer parâmetros para os espertalhões que estão brigando pelo seu voto favorável; e os políticos no comando de estatais terão de cobrar um preço alto para fraudar o processo de licitação em prol de uma determinada empreiteira.

Para ambos os casos, o preço inclui contribuições de campanha, dinheiro em contas no exterior, favores corporativos, publicidade favorável, e vários outros. Suborno e propina são apenas as formas mais cruas desse leilão.

Em todos esses casos, o dinheiro público estará sendo desviado e desperdiçado, seja em obras superfaturadas, seja na criação de burocracias desnecessárias e que irão apenas encarecer os preços dos bens e serviços e reduzir sua qualidade. E quanto maior o volume de dinheiro público desviado, maior é a fatia que acaba indo parar no bolso desses próprios políticos.

O fato é que o voto destes políticos em prol da criação destas legislações anti-mercado ou destas emendas orçamentárias, bem como o fato de políticos comandarem estatais e escolherem as empreiteiras que farão suas obras, são um bem econômico para essas empresas. 

O resultado final é uma corrupção endêmica que não pode ser eliminada. E ela será tanto maior quanto maior for o tamanho e o escopo do estado. Não existe algo como um governo limpo e transparente.

Senadores, deputados e burocratas reguladores — todos estão, de uma forma ou de outra, propensos a esta atitude. Mesmo um político ou burocrata que seja genuinamente honesto pode ser acusado de conivência, pois não irá denunciar seus colegas.

Roubo e corrupção perpassam o governo em todas as suas atitudes e medidas. Todas as atitudes e medidas do governo sempre envolvem mentiras, injustiças, malversações, delitos, propinas, subornos, favorecimentos, fraudes, deturpações, negociatas, emendas favoráveis e exploração. E essas são apenas as coisas publicáveis.

A corrupção, aliás, já começa pela linguagem. "Contribuições de campanha" ou "doações" são apenas um eufemismo para 'propina'. Quem dá dinheiro a políticos o faz ou porque acredita no que eles dizem defender ou porque espera influenciar seus votos legislativos. Tais pessoas sempre esperam ganhar algo que necessariamente virá à custa de outros. Políticos que recebem contribuições de campanha se tornam meros porta-vozes dos interesses de seus financiadores. O dinheiro irá ajudar o candidato a criar uma coalizão que poderá usar o poder do estado em benefício de um determinado grupo de interesse sem sofrer nenhuma resistência excessiva. Afinal, trata-se de um roubo legalizado. 

A grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados.

O político gerencia um esquema de extorsão semelhante ao da máfia. Seu salário é pago pelas vítimas, ou seja, pelos pagadores de impostos que não têm voz ativa. Seus "complementos salariais" — o chamado "por fora" — são pagos por grupos de interesse, o que fará com que ele espolie ainda mais os pagadores de impostos. Tudo é feito com grande astúcia, sendo a função do político convencer as vítimas de que elas não estão sendo espoliadas. Isso ele sempre consegue. O político é, acima de tudo, um falso. 

Corrupção sistemática — não apenas a corrupção que envolve meios financeiros, mas também a corrupção da linguagem e das atitudes — necessariamente acompanha um governo. Qualquer governo. E a corrupção é endêmica porque a política é a arte da ladroagem. 

Quando eleito, um político irá se esforçar para garantir seus interesses e os interesses de seus financiadores da melhor forma possível. Para que mais serve um governo? Governo é roubo. Governo é corrupção.




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